domingo, 20 de novembro de 2011


ALGUMAS DEFINIÇÕES

SÍNDROME DE DOWN: Alteração genética cromossômica do par 21 que traz como consequência características físicas marcantes e implicações tanto para o desenvolvimento fisiológico quanto para a aprendizagem.

TRANSTORNOS GLOBAIS DO DESENVOLVIMENTO: manifestações de quadros psicológicos, neurológicos, psiquiátricos ou de síndromes que ocasionam atrasos no desenvolvimento e prejuízos no relacionamento social.

ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO: alto desempenho e/ou elevada potencialidade em qualquer dos seguintes aspectos, isolados ou combinados: capacidade intelectual geral; aptidão acadêmica específica; pensamento criativo e/ou produtivo; capacidade de liderança, talento especial para artes e capacidade psicomotora.

DEFICIÊNCIA AUDITIVA: perda bilateral, parcial ou total, de 41 até 70 dB, aferida por audiograma nas frequências de 500 Hz, 1000Hz e 3000Hz. A pessoa que utiliza o Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI - prótese auditiva) pode, ou não, processar informações linguísticas pela audição e, consequentemente, tornar-se capaz de desenvolver a linguagem oral, mediante atendimento fonoaudiológico e educacional.

SURDEZ: perda auditiva acima de 71 dB, aferida por audiograma nas frequências de 500 Hz, 1000Hz e 3000Hz, a partir da qual a pessoa compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais. A pessoa com surdez, em geral, utiliza a Língua Brasileira de Sinas (LIBRAS).

DEFICIÊNCIA FÍSICA: alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, abrangendo, dentre outras condições, ostomia, amputação ou ausência de membros, comprometimento neuromotor, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções gerais.

DEFICIÊNCIA MENTAL: caracteriza-se por limitações significativas, tanto no desenvolvimento intelectual como na conduta adaptativa, na forma expressa em habilidades práticas, sociais e conceituais.

DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA: associação, na mesma pessoa, de duas ou mais deficiências primárias (mental/visual/auditiva/física).

DEFICIÊNCIA VISUAL: perda total ou parcial da visão congênita ou adquirida , variando com o nível ou acuidade visual.
Fonte: Ministério da educação - MEC- Caderno de instruções - Censo Escolar - junho 2008.


sexta-feira, 16 de julho de 2010

Inclusão social

“Lutar pela igualdade sempre que as diferenças nos discriminem;
lutar pelas diferenças sempre que a igualdade nos descaracterize.”
Boaventura de Souza Santos

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Estratégias pedagógicas e o uso da comunicação alternativa

§ Organizar o ambiente físico da sala de aula a partir de placas que tenham desenhos para indicar coisas básicas como: Ir ao banheiro, comer, beber água, um brinquedo especifico, sair de sala, etc. Essas placas devem ser trabalhadas com o aluno autista e esse com o tempo poderá se comunicar com a professora e os colegas mostrando o que quer;

§ Usar outro sistema baseado em figuras ou fotos selecionadas de acordo com as necessidades e/ou interesses individuais. Quando o autista estabelece a associação entre a atividade e o símbolo facilita tanto a comunicação quanto à compreensão.

§ Fazer uma prancha de papel grosso e escuro, colocar nela algumas letras do alfabeto. Pegar o desenho de alguns animais por exemplo que comecem com aquelas letras, colocar velcro atrás desses desenhos e ensinar o aluno a associar o desenho com a letra;

§ Fazer uma prancha de matemática, onde o aluno vai aprender a fazer associação do número com a quantidade trabalhar o conceito até ele mesmo poder fazer a correspondência;

§  O estudante deve ter sempre em mãos um brinquedo que é um quadro portátil com uma caneta magnética, para poder desenhar ou escrever o que quer comunicar;

§ Conversar com o estudante autista, explicar a ele o que esta acontecendo com calma e voz pausada, levá-lo a observar os movimentos do seu lábio, para que esse se concentre mais.

sábado, 26 de junho de 2010

SINTOMAS/CARACTERÍSTICAS

Uma criança autista prefere estar só, não forma relações pessoais íntimas, não abraça, evita contato de olho resiste às mudanças, é excessivamente presa a objetos familiares e repete continuamente certos atos e rituais. A criança pode começar a falar depois de outras crianças da mesma idade, pode usar o idioma de um modo estranho, ou pode não conseguir – por não poder ou não querer – falar nada. Quando falamos com a criança, ela frequentemente tem dificuldade em entender o que foi dito. Ela pode repetir as palavras que são ditas a ela (ecolalia) e inverter o uso normal de pronomes, principalmente o tu em vez de eu ou mim ao se referir a si própria.

Uma variante do autismo, às vezes chamada de desordem desenvolvimental pervasiva ou autismo atípico, pode ter início mais tardio, até os l2 anos de idade. Assim como a criança com autismo de início precoce, a criança com autismo atípico não desenvolve relacionamentos sociais normais e frequentemente apresenta maneirismos bizarros e padrões anormais de fala. Essas crianças também podem ter síndrome de tourette, doenças obsessivo compulsiva ou hiperatividade.

LISTA DE CARACTERÍSTICAS DA PESSOA AUTISTA:




 Atenção: A lista serve como orientação para o diagnóstico. Estes sintomas podem variar de intensidade conforme a idade e o histórico de cada indivíduo.

 Ausência de capacidade, adequada à idade, de realizar jogos de faz-de-conta ou imitativos;

 Movimentos repetitivos e estereotipados;

 Insistência com gestos idênticos;

 Resistência a mudar de rotina;

 Risos e sorrisos inapropriados;

 Não temer perigos;

 Pouco contato visual;

 Pequena resposta aos métodos normais de ensino;

 Brincadeiras muitas vezes interrompidas;

 Aparente insensibilidade à dor;

 Atraso ou ausência total no desenvolvimento da fala;

 Ecolalia (repetição de palavras ou frases);

 Preferência por estar só: conduta reservada;

 Pode não querer abraços de carinho ou pode aconchegar-se carinhosamente;

 Faz girar objetos;

 Aparenta angústia sem razão aparente;

 Não responde às ordens verbais; atua como se fosse surdo;

 Apego inapropriado a objetos;

 Habilidade motora e atividades finas desiguais;

 Dificuldade em expressar suas necessidades, emprega gestos ou

 Sinais para os objetos em vez de usar palavras.

CONCEITO DE AUTISMO

Para o CID -10 (10ª classificação internacional de doenças), o autismo é um transtorno invasivo do desenvolvimento, definido pela presença de desenvolvimento anormal e/ou comprometido que se manifesta antes da idade de três anos e pelo tipo característico de funcionamento anormal em todas as três áreas: de interação social, comunicação e comportamento restrito e repetitivo.

Ainda segundo o CID-10, o transtorno de autismo ocorre de três a quatro vezes mais freqüente em meninos do que em meninas.

Frequentemente surge com manifestações de timidez excessiva, medo descabido ou retraimento exagerado e evolui para posterior afastamento completo do mundo exterior, quando toda a atenção se volta para o mundo subjetivo. As crianças autistas possuem dificuldade em estabelecer relacionamentos sociais, apresentam alterações no desenvolvimento dos processos de linguagem e uma insistência muito marcante na manutenção da rotina.

domingo, 7 de dezembro de 2008

DISTÚRBIOS DA LINGUAGEM EM SUJEITOS AUTISTAS


De acordo com Cláudia Scheuer (2002), professora de fonoaudiologia da USP, os dois primeiros anos de vida de uma criança são cruciais para seu desenvolvimento, devendo ser considerado que a comunicação e a linguagem têm início desde o momento que o bebê nasce.

O choro do bebê é uma efetiva forma de comunicação e interação, que inicia durante a amamentação na troca de afetos, emoções, desejos e necessidades. As ações dos bebês, tais como produzir gritos, agitar mãos e pernas, informam tanto sobre o desenvolvimento da linguagem como sobre o cognitivo e o social.

Para (Scheuer, 2002), nos primeiros anos de vida, a criança deve estabelecer muitas e múltiplas relações entre pessoas e objetos, com ações que as pessoas produzem com o seu corpo e com objetos, devendo atribuir significado. Todos os estímulos são interessantes, pois para um bom desenvolvimento da linguagem, a curiosidade pelo novo e a experiência são informações que posteriormente resultam em comunicação e linguagem.

Já aos dois anos de vida, a criança é extremamente comunicativa, usa gestos, olha fixamente, responde a estímulos, interage cada vez com mais pessoas e sabe diferencia-las umas das outras quando as vê ou ouve. A ação conjunta entre o adulto e a criança, possibilita o desenvolvimento da linguagem, tornando-a eficaz e eficiente. Dos gestos às primeiras palavras e sentenças, é um processo muito organizado e previsível, que reflete como as crianças pensam sobre o mundo do qual fazem parte, como o reconhecem, além de demonstrar sobre o que é importante para elas.

Existem diferenças individuais no desenvolvimento da linguagem, que são determinadas pelas capacidades internas de cada indivíduo e ao ambiente, que deve ser rico em estímulos e possibilitar diversas experiências.

Na medida em que a criança se desenvolve, são observados maiores recursos de linguagem. Dos dois aos cinco anos, a linguagem evolui do uso de uma só palavra a uma forma gramatical bem estruturada, sendo direcionada a vários interlocutores. Para (Scheuer, 2002) a linguagem dá lugar a um pensamento concreto, além de aprender a lidar com seus pares, a criança também apreende os diferentes papéis sociais de suas relações, permitindo que faça parte de uma cultura e consequentemente, vais sendo construindo valores e sua própria identidade. Desenvolver linguagem é mais do que falar, é comunicar sobre o que o sujeito deseja, quer, conhece e sente.

Mas o desenvolvimento da comunicação e da linguagem nem sempre ocorrem como se deseja; há crianças que violam ou transgridem muitas etapas. Pais e educadores, são os primeiros a perceber que há algo de errado no desenvolvimento quando a linguagem regride, está atrasada ou ausente. As crianças portadoras de autismo apresentam problemas para fazer de sua comunicação um instrumento eficiente para dizer sobre suas necessidades, desejos, vontades, ou seja, durante o desenvolvimento da linguagem, formas não-verbais de comunicação estão comprometidas e, consequentemente, quando elas devem produzir as primeiras palavras oralmente, isso não acontece no período de tempo em que deveria ocorrer ou não chega a acontecer.

Como já dito anteriormente, neste trabalho, a criança portadora de autismo apresenta importantes déficit sociais, como dificuldade para interagir com outras pessoas, começam a falar tarde, e a velocidade do desenvolvimento da linguagem é bastante lenta e complexa. Essas dificuldades comunicativas não são isoladas, fazendo-se acompanhar de comportamentos tais como agressividade, auto-agressividade, birras, choros que rapidamente se alternam com rios, gritos, os quais poder ser considerados como uma comunicação que a criança consegue estabelecer, apesar de não ser socialmente convencional.



Além da estagnação no desenvolvimento da linguagem, crianças autistas normalmente não brincam socialmente, se ocupam de objetos específicos, manipulando-os por muito tempo, sem usá-los como brinquedos ou dar-lhes uma função. O que sinaliza um sintoma de acordo com (Scheuer, 2002) como um problema de simbolização ou de representação de um objeto ausente. Uma criança que não pode simbolizar, também não pode desenvolver uma linguagem mais elaborada com sentido mais abstrato, comprometendo a construção de novos significados.

Apesar do desenvolvimento motor quase sempre ser normal, crianças autistas não exploram o ambiente como deveriam. O desenvolvimento da linguagem tem uma forte relação com o desenvolvimento cognitivo, pois os autistas com menores possibilidades intelectuais quase nunca chegam a desenvolver a linguagem oral, resultantes de um desenvolvimento simbólico que remete aos primeiros estágios do processo cognitivo, as vezes sensório-motor, outras vezes pré-operatório.

Um dos aspectos que mais chama atenção na linguagem de crianças autistas é a ecolalia (repetição de palavras ou frases), que pode ser imediata ou tardia. As ecolalias parecem ter função comunicativa, conforme (Tager-Flushberg, 1991), quanto mais ecolálica for uma criança menos linguagem espontânea ela produz.

O uso da terceira pessoa para referir-se a si mesmo (inversão pronominal), é outro aspecto comum em crianças autistas, o que para (Lee, Hobson e Chiat, 1994), pode estar relacionado com dificuldades na construção da noção de referência; além da conceituação da noção do “eu” e do “outro”.

Quando crianças autistas são capazes de aprender a ler formalmente, a compreensão do sentido de um texto está prejudicada, e quanto maior complexidade do texto, maior dificuldade de interpretá-lo. As narrativas escritas por elas geralmente são descritivas, faltam-lhes elementos de coesão e coerência.

Assim, o desenvolvimento da linguagem está fortemente relacionado ao contexto lingüístico e ao situacional, cabendo ao adulto (pais e educadores) fornecer todos os instrumentos para que ambos os contextos facilitem e possibilitem a comunicação e a linguagem.
SCHEUER, Cláudia. Distúrbios da linguagem nos transtornos invasivos do desenvolvimento. Porto Alegre: Artmed, 2002.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Constituição de identidades: aspectos subjetivos

SUJEITOS
Como podemos adotar uma prática discursiva paradoxal, no sentido de sair do conceito de identidade essencialista, universalista e, ao mesmo tempo, buscar ver o sujeito não no sentido do que é, mas no sentido do que se tornou?
Buscando uma construção na perspectiva do sujeito: o que pode tornar-se, como nos representamos e como cada um representa a si mesmo. Essa nova construção se daria mantendo a norma, mas operando na lógica do sujeito. Operar com as identidades tendo em vista que as mesmas estão em permanente processo de transformação, fragmentando-se e constituindo-se, influenciadas por seus percursos históricos (não no sentido de retorno, de tradição) em parte associadas a um imaginário, em parte associadas ao aspecto simbólico, em parte construídas na fantasia (Freud). Perceber uma multiplicidade de aspectos que influenciam, contribuem para a constituição de processos de identificação de diferentes sujeitos. Não existindo nunca, unificação e, talvez, admitindo a existência de identidades coletivas e lembrando que cada sujeito se constitui de forma subjetiva, não essencialista. Apreendendo que as identidades se dão em campos específicos práticas discursivas, locais, contextos, estratégias e iniciativas específicas.
Pensando em tudo isso e buscando exemplificar, não há um (a) estudante que corresponda ao ideal, à imagem de ser estudante, não há correspondência direta ao imaginário em torno do que é um (a) estudante. Do mesmo modo não há uma pessoa com deficiência do modo como pensamos. A consciência é sempre opaca.
O movimento negro, por sua vez, busca sua identidade a partir da identidade mestra, afirmando a “raça negra” admitindo sua existência, mas a resignifica para falar sobre a existência do (a) negro (a) como sujeito, como ser humano, como ser de direitos.
A partir desta análise, é possível percebermos a necessidade de nos abrirmos para esse (a) outro (a) sempre “mais que” ou “menos que” o pensado sobre o mesmo. Percebê-lo e reconhecê-lo não só no sentido verbal, mas em todas as suas formas de discurso. Para atender ao sujeito é necessário nos perguntarmos quem é o outro, quem somos nós, envolvendo o “cuidado de si”, conceituado por Foucault. O cuidado de si significa cuidar de nossa subjetividade e não do indivíduo porque o indivíduo sempre busca uma norma que o ampare. O cuidado de si, refere-se a um cuidado do sujeito. O outro não está na identidade que atribuo a ele.
Abandonar a idéia de universal e buscar a diferença. Isso é o processo de identificação. As identidades são construídas por meio da diferença e não fora dela. Nossa subjetividade, só encontra correspondência no que está posto. Estamos sempre errados, por excesso ou por falta. O não lugar nos incomoda, daí estarmos sempre buscando o que somos (processo).

Referências:

FREUD, Sigmund. Conferêncis 31, 32, 33 e outros textos e fragmentos extraídos de Edição Standart Brsileira das Obras Completas, Rio de Janeiro: Imgo, 1980.
FOUCAULT, M. The Order of things. Londres: Tavistock, 1970.